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Pequenas e rentáveis

Fonte: Estadão

A Lacta estava prestes a ser vendida, no Natal de 1995, quando Álvaro Gonçalves e Alberto Camões trabalharam juntos pela primeira vez. Alberto estava no Pactual e Álvaro concluía a reestruturação de uma empresa da PepsiCo na Suíça. Contratado por um banco de investimento, Álvaro voltou ao País para cumprir um de seus maiores desafios. Sem nunca terem se visto antes, ele e o novo parceiro foram jogados na mesma sala para desenvolver em poucos dias um plano para a venda da Lacta.

Não era tarefa fácil. A equação envolvia briga de sócios, disputas judiciais e dívidas. Em janeiro do ano seguinte, a Lacta passou para as mãos da Kraft por US$ 245 milhões. O episódio foi o embrião de uma das gestoras de private equity mais rentáveis do País, a Stratus.

Com um retorno de capital superior a duas vezes o valor investido, a Stratus tornou-se recentemente um dos melhores investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na América Latina. A instituição mantém investimentos em 40 fundos na região, dos quais 15 estão no Brasil. “Tivemos retorno de 3,6 vezes no primeiro fundo da Stratus”, diz o oficial do fundo multilateral de investimentos do BID, Rogério Ramos.

A receita de bolo usada na Lacta foi replicada em empresas de pequeno e médio portes. “Naquela época, não tínhamos a perspectiva de aumento de renda como temos hoje, por isso focamos em empresas que pudessem crescer acima do PIB, o que soou infactível no começo”, lembra Álvaro.

O primeiro fundo da Stratus, de 2002, reuniu empresas de tecnologia com faturamento inferior a R$ 10 milhões. O investimento inicial foi da ordem de US$ 60 milhões. Hoje, a Stratus tem US$ 250 milhões sob administração e pretende dobrar esse valor nos próximos dois anos.

Embora não deem detalhes sobre projetos futuros, no mercado de private equity é sabido que os próximos fundos, com o mesmo perfil dos primeiros, já estão sendo captados. A gestora espera conseguir US$ 350 milhões até o fim do ano. Faltam apenas os investidores. “Mesmo com uma boa performance, a Stratus é considerada uma gestora de segunda divisão, por não contar com cotistas estrangeiros de peso”, diz um executivo do setor. “É o que eles estão tentando fazer para mudar de patamar.”

O case de maior sucesso da gestora até agora ganhou visibilidade em fevereiro. A Alog, especializada em serviços de data center, teve 90% de seu capital vendido para a americana Equinix, por US$ 126 milhões. A empresa, em carteira desde 2004, foi a mais rentável do fundo e também a que exigiu mais esforços dos sócios. “Dediquei 50% do meu tempo a ela”, lembra Álvaro. “Trocamos sete diretorias, reestruturamos a gestão e fizemos uma fusão com outra empresa do setor logo no início.”

Outro investimento que não passa despercebido é a Senior Solutions, de softwares para o setor financeiro. Quando recebeu o primeiro aporte, há cinco anos, faturava R$ 5 milhões. De lá para cá, fez cinco aquisições e multiplicou por oito a receita. “Eles nos deram a visão de negócio que estava faltando”, diz o fundador, Bernardo Pereira.

Como a carteira de qualquer outro fundo, a da Stratus também tem seus tropeços. Em 2006, apostou numa fabricante de peças para o setor aeroespacial que não vingou. Antiga fornecedora da Embraer, a Graúna Aerospace, que já estava em dificuldades, quase quebrou depois da crise financeira mundial.

Com mais acertos do que erros, a Stratus passou a ser reconhecida internacionalmente por suas aplicações em negócios sustentáveis. Seu segundo fundo abriga apenas empresas “verdes”, como a Amyris, companhia americana de biotecnologia que desenvolveu uma substância capaz de substituir derivados do petróleo. Cerca de 40% dos recursos da Stratus está investido nesse fundo, o Cleantech, primeiro do gênero no País.

Na semana passada, a Stratus esteve entre os finalistas do prêmio de sustentabilidade do jornal britânico Financial Times. “Os investimentos sustentáveis ainda não se provaram como negócio, mas agradam os gringos”, diz um gestor de private equity. Álvaro defende o fundo “verde” com o fervor de um “ongueiro”, mas ressalta que seus interesses não são filantrópicos. “Está longe de ser romantismo.”

Por: Naiana Oscar

Stratus é indicada para FT/IFC 2011 Sustainable Finance Awards

Font: Financial Times

The Financial Times and IFC, a member of the World Bank Group, have announced the shortlist for the 2011 FT/IFC Sustainable Finance Awards, the major global awards for environmentally and socially responsible banking and investment.

The FT/IFC Sustainable Finance Awards evolved out of the FT Sustainable Banking Awards, which over five years established themselves as the world’s leading awards for banks and other institutions focused on sustainable development.

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Fundo obtém retorno duas vezes maior com aportes em empresas de TI

Fonte: TI Inside

Após o investimento em oito empresas inovadoras e já tendo feito seis desinvestimentos –venda de companhias –, o fundo Stratus GC I, gerido pela Stratus Investimentos, no qual a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) injetou R$ 4,8 milhões por intermédio do Inovar Fundos, obteve de até agora retorno de mais de R$ 10 milhões para a agência de fomento ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. A previsão é de que o retorno final aumente quando o fundo receber os saldos referentes às vendas já realizadas, e quando os desinvestimentos nas duas últimas empresas da carteira, Senior Solution e Neovia, acontecerem.

Após dez anos de investimentos da Finep em fundos, o Stratus GC I caminha para ser o segundo fundo a ser totalmente desinvestido (finalizado), com retorno acima do projetado. “O fundo cumpriu sua tese de investimento tanto no que se refere ao retorno financeiro, como no apoio e desenvolvimento de empresas inovadoras no setor de TI”, afirma Patrícia Freitas, superintendente da área de Investimentos.

Segundo ela, os resultados confirmam que o capital de risco é um poderoso instrumento para o desenvolvimento de empresas inovadoras no Brasil. “Além do retorno financeiro obtido até aqui, a atuação da Stratus Investimentos foi decisiva no desenvolvimento das empresas da carteira nos diversos momentos macroeconômicos pelos quais o fundo passou nos últimos dez anos”, completa Patrícia.

O grande case de sucesso deste ano do Stratus GC I até o momento foi a venda da participação na Alog Data Centers do Brasil. O retorno da empresa superou dez vezes o capital investido e, além disso, após sete anos de atuação da Stratus, a companhia tornou-se um grande player do setor de infraestrutura de TI no Brasil. De 71 funcionários em 2004, a Alog pulou para 400 neste ano, elevando sua carteira de menos de cem clientes para mais de mil, a maioria empresas de porte médio. Além da Finep, são cotistas do fundo o Fumin/BID, a Fapes (Fundo de Pensão dos funcionários do BNDES), grupo PEBB, Sebrae e family offices.

A Finep até o momento já comprometeu recursos em 26 fundos sendo oito de capital semente, 12 de venture capital, cinco de investimento em empresas (private equity) e um fundo de fundos. Esses fundos no total, incluindo os recursos da Finep e de outros investidores, somam mais de R$ 4 bilhões, e já investiram em mais de 84 empresas inovadoras.

Fundo investido pela FINEP retorna duas vezes o capital

Fonte: Finep

Após o investimento em oito empresas inovadoras e já tendo feito seis desinvestimentos (venda das companhias), o Fundo Stratus GC I – gerido pela Stratus Investimentos – no qual a FINEP aportou R$ 4,8 milhões por intermédio do Inovar Fundos, retornou até agora mais de R$ 10 milhões para a Financiadora. A previsão é de que o retorno final aumente quando o Fundo receber os saldos referentes às vendas já realizadas, e quando os desinvestimentos nas duas últimas empresas da carteira, Senior Solution e Neovia, acontecerem. Continue lendo

O lucro do lixo

Melhor olhar com carinho para a lixeira do escritório. Um número crescente de empresas começa a extrair materiais nobres e a obter novos produtos a partir de resíduos como vísceras de animais e casca de arroz .

Fonte: Revista Época Negócios, 04/04/2011

Da união de um grupo de alunos de doutorado da Universidade de Campinas, no interior paulista, nasceu a Bioware, em 2002. Desde o início, a empresa focou-se numa atividade, à época, pouco comum: permitir que outras companhias extraíssem lucro do lixo. Em quatro anos, a start up criou uma série de equipamentos capazes de converter a casca do arroz, a serragem e materiais orgânicos em produtos como o óleo combustível, o carvão e a lenha. Desde então, cresceu de forma excepcional. Em 2006, faturou modestos R$ 50 mil. No ano passado, a receita saltou para R$ 1 milhão. Os clientes de peso também apareceram. A Alcoa está interessada em processar restos florestais. A Citrosuco busca aplicações para o bagaço de laranja.

A Bioware não é um caso isolado. “O negócio da transformação de resíduos chama a atenção em todo o mundo. E é intensa a procura por inovações nesse campo”, diz Josh Gould, diretor do Cleantech Group, líder global em consultoria sobre tecnologias limpas. Essa busca por oportunidades inclui tanto grandes corporações, como Alcoa e Citrosuco, como investidores. O Stratus, o único fundo de private equity focado em empresas desse segmento na América Latina, aplicou R$ 100 milhões em junho do ano passado na Unnafibras. A empresa foi formada em 1996, a partir de um desmembramento da Rhodia, e possui fábricas em Santo André e Mauá, na Grande São Paulo, e em João Pessoa, na Paraíba. Ela produz fibras de poliéster, um plástico sintético.

Desde o início, a companhia decidiu obter ao menos parte da matéria-prima numa fonte alternativa – as garrafas PET recicladas. À época, elas representavam 20% do material empregado na fabricação de 10 mil toneladas de fibra. A mudança, porém, não foi simples. “O PET brasileiro era muito sujo e o maquinário importado dos Estados Unidos não funcionava bem”, diz José Trevisan Júnior, presidente da empresa. Após adaptações nos equipamentos, o processo foi aprimorado e o PET passou a ser usado em 100% da produção atual de 30 mil toneladas por ano, que resulta num faturamento de R$ 147 milhões. Hoje, a quase totalidade do material reciclado (95%) é fornecida por cooperativas de catadores. O restante vem de lixões.

As garrafas plásticas são coletadas nas unidades de Mauá e João Pessoa. Ali, são limpas e picotadas em pequenos pedaços, como flocos de plástico com menos de 1 centímetro de largura. Na fábrica de Santo André, o PET é fundido e colocado em máquinas semelhantes a chuveiros. Dos furinhos desses aparelhos, saem as fibras de poliéster. Ao final do processo, o que se vê são fios que vão de 2,5 a 10 centímetros de comprimento, parecidos com algodão. Eles são empregados no enchimento de travesseiros, edredons, almofadas e bichinhos de pelúcia, além de tecidos para artigos de cama, mesa e banho. A Unnafibras desenvolveu uma tecnologia específica para a fabricação de um tecido, semelhante ao carpete, usado para revestir o piso, o teto e o porta-malas de automóveis.

As start ups que reutilizam o lixo atraem grandes empresas e fundos de investimentos

Com os R$ 100 milhões investidos pelo fundo Stratus, a companhia quer dar novo salto. A quantia está sendo aplicada na ampliação das instalações de Santo André e na construção de mais uma unidade em João Pessoa. A nova fábrica da Paraíba deve ser concluída no início de 2012. Ela permitirá à Unnafibras ingressar no segmento de resina feita a partir de PET. Esse material servirá de base para a produção de embalagens plásticas de alimentos e cerdas de vassouras, além de vidros e tintas.

A Senergen, instalada em Lorena, no interior paulista, também vive do lixo. A empresa criou uma tecnologia batizada de Probem, patenteada em mais de 20 países. Trata-se de um conjunto de equipamentos que transforma restos de todos os tipos em novos materiais. A companhia processa, por exemplo, 20 toneladas diárias de pneus usados. Eles são coletados pela Reciclanip, uma entidade criada por grandes indústrias do setor como Bridgestone, Goodyear, Michelin e Pirelli. Depois, o material é processado em reatores especiais que praticamente desconstroem os produtos originais. O resultado final da transformação é usado na produção de artigos de borracha de cor preta, como tapetes de carros. Outro subproduto desse sistema é o limoneno, um óleo de aroma cítrico, amplamente empregado em aromatizantes e cosméticos.

Há outras aplicações surpreendentes. Das vísceras do gado é extraído um óleo, empregado na composição de um plástico, usado em para-choques de carros. A casca de arroz também dá origem à sílica, insumo básico para a produção de vidro, também aproveitado pela indústria de tintas e pneus. Na verdade, a Senergen, empresa dirigida por Roberto Paschoali, ex-presidente do Lloyds TSB Bank no Brasil, atua como uma desenvolvedora de soluções. Se um cliente precisa encontrar destino para um resíduo, os técnicos da companhia analisam a composição química do material. Posteriormente, definem qual infraestrutura e processos são indicados para extrair matérias-primas com aplicações comerciais. “Por fim, criamos uma nova empresa, em que a Senergen e o cliente são acionistas. Depois, dividimos o lucro proveniente da reciclagem”, diz Paschoali.

Além da perspectiva de bons lucros, a legislação tem atuado como uma fonte de estímulo adicional para o surgimento de novas empresas, como Bioware, Unnafibras e Senergen. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), aprovada no ano passado pelo Congresso, determina que, a partir de 2014, a iniciativa privada e o poder público serão obrigados a reciclar ou tratar resíduos. Mais que uma medida recomendável, o mercado do lixo transformou-se numa obrigação.

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Hec Paris chega ao topo com sucesso de ex-alunos

Fonte: Valor Econômico

O ranking de 2010 das melhores escolas de negócios da Europa elaborado pelo “Financial Times” apresenta mais uma vez no topo a HEC Paris. Apesar dos desafios apresentados por velhas adversárias e novas instituições, a “grande école” há cinco anos seguidos é a principal escola da Europa. A London Business School ficou em segundo lugar este ano, seguida da Insead.

O domínio contínuo exercido pela HEC é explicado em parte pela qualidade de seus programas. Cada um deles está classificado entre os 10 melhores na Europa, incluindo um primeiro lugar em programas customizados, elaborados de acordo com as especificações de clientes empresariais.

A HEC faz parte do programa de MBA executivo Trium – no qual ela colabora com a London School of Economics and Political Science e com a Stern School of Business da Universidade de Nova York -, que é o segundo entre os maiores programas que envolvem faculdades europeias nos rankings mundiais de MBAs executivos.

Segundo um ex-aluno que hoje é mestre em administração, um diploma da HEC tem valor inestimável no mercado de trabalho. “A HEC é reconhecida como uma marca de qualidade no mundo financeiro”, diz. A experiência de seus colegas da turma de 2007, pesquisados como parte do ranking de 2010 do “FT”, corrobora sua afirmação. Quando perguntados sobre as conquistas de várias metas pessoais após a formatura, incluindo posição na carreira, mobilidade internacional e salários, 82% deles responderam que alcançaram seus objetivos. Talvez isso não seja surpreendente, dados os comentários de outro ex-aluno: “A HEC Paris é referência na França. Ela abre qualquer porta”.

Mas nem tudo foi festa para a escola francesa em 2010. A perda da primeira posição no ranking de mestrado em administração é um exemplo notável. Tendo perdido para o programa da Cems (uma aliança global de 25 escolas não elegível para o ranking das européias) em 2009, a HEC se viu relegada à terceira posição este ano. A primeira posição ficou com a ESCP Europe, que superou as concorrentes graças à pontuação elevada obtida no quesito internacionalização.

A lista vem aumentando a cada ano. No primeiro ranking, realizado em 2004, eram 40 escolas. No atual, são 75 instituições de 21 países. O Reino Unido lidera com 21 escolas classificadas entre as melhores da Europa. Logo em seguida vem a França, com 18.

Por Michael Jacobs | Financial Times

Escolas da Europa se tornam mais internacionais

Fonte: Valor Econômico

Foi um ano curioso para as escolas de negócios da Europa. Quando as cinzas vindas de um vulcão na Islândia desceram sobre o norte do continente em abril, isso serviu apenas para aprofundar uma penumbra que já havia se assentado sobre o mercado de ensino executivo. As receitas foram reduzidas em 25% e alunos graduados em MBA e mestrado em administração estavam tendo dificuldades para encontrar emprego.

Mas, conforme o ano avançou, os negócios – e o céu – ficaram mais claros e as matrículas dos programas de especialização aumentaram. Embora o destino das escolas da região tenha em grande parte refletido o de suas congêneres americanas, algumas tendências peculiarmente europeias também se manifestaram.

Enquanto o ano passado foi marcado pelas fusões e aquisições, 2010 foi o da expansão internacional. A Manchester Business School e a Skema Business School da França (que surgiu com a fusão entre a Ceram e a ESC Lille) estabeleceram campi nos Estados Unidos. Já a Universidade de Strathclyde foi para a Índia.

Michael Luger, reitor da Manchester e ele mesmo um americano, diz que há uma demanda real em Miami pelo curso de MBA executivo da escola, que conseguiu preencher facilmente as 30 vagas existentes em seu programa inaugural no terceiro trimestre. Parte do apelo, diz, é a perspectiva global da escola. “Nunca tivemos problemas para conseguir alunos americanos no programa de período integral.”

Mas os grandes desafios continuam mais perto de casa. Colin Mayer, reitor da Saïd Business School da Universidade de Oxford, enfatiza os problemas para se conseguir alunos locais. “Há muito mérito na internacionalização das escolas de negócios, mas a maioria de nós gostaria de ver mais europeus nesse mix”, afirma, apontando para estatísticas do Graduate Management Admission Council, que publica o Graduate Management Admission Test (GMAT): dos 263.979 exames GMAT realizados entre 1º de julho de 2009 e 30 de junho de 2010, apenas 9% eram de europeus, comparado a 48% de americanos e 19% de asiáticos.

A situação deverá ficar mais difícil no Reino Unido, afirma Kai Peters, executivo-chefe da Ashridge Business School, uma vez que o número de vistos de permanência concedidos aos estudantes está limitado. No momento, ele calcula que 91% dos alunos dos programas de MBA de período integral do Reino Unido são de fora do país e muitos deles terão seus vistos negados no futuro. As restrições aos vistos de trabalho poderão desencorajar estudantes não europeus de se inscrever em escolas do continente. “Muitos vêm com a intenção de conseguir emprego na Europa”, diz Mayer.

O último ano claramente foi de maior competição para as escolas de negócios europeias, tanto em casa como em outras partes do mundo. Dominique Turpin, presidente da IMD da Suíça, acredita que grande parte da concorrência está vindo dos mercados emergentes, com estimados 360 cursos de MBA oferecidos hoje na China, 350 na Rússia e muitos mais na Índia. “Estamos esquecendo das necessidades específicas dos mercados emergentes. É daí que a competição está vindo”.

De volta à Europa, porém, é um dos antecessores de Turpin na IMD, Peter Lorange, que está comandando um novo tipo de competição, vinda do setor com fins lucrativos. Pouco mais de um ano depois que comprou a GSBA de Zurique e a renomeou de Lorange Institute of Business Zurich, ele recebeu o reconhecimento oficial de seus cursos pela Association of MBAs de Londres.

No Reino Unido, a BPP, faculdade de contabilidade e direito empresarial comprada em 2009 pela Apollo Group dos Estados Unidos, movimentou-se rapidamente para estabelecer uma escola de negócios. Enquanto isso, a London School of Business and Finance, financiada pelos russos, gabou-se com o lançamento de seu Facebook MBA “gratuito”.

O professor Peter, da Ashridge, diz que esses programas vão atrair um grupo diferente de alunos e, além disso, os estudantes que não conseguirem visto para estudar no Reino Unido poderão recorrer aos programas on-line.

Muitas outras escolas europeias tradicionais vêm demonstrando que podem lançar programas inovadores para atender as necessidades das empresas – do MBA executivo de gerenciamento de águas da Rotterdam Business School, ao curso de administração e direito da Insead, lançado junto com a Sorbonne.

Os dois cursos ilustram tendências que o professor de marketing da Insead Hubert Gatignon identificou no mercado. Em primeiro lugar está a maior ênfase nas questões ambientais e sociais. A Warwick Business School, por exemplo, tem um MBA em energia global e a Exeter um programa ministrado em conjunto com a organização World Wildlife Fund (WWF). Segundo, haverá mais cursos conjuntos com outras disciplinas e entre escolas em locais diferentes. A Insead já possui um programa conjunto com o Art Center College of Design de Pasadena, na Califórnia, e vai contribuir para o curso de Latin-Legum Magister (LLM) que a Sorbonne lançará em 2011 em Paris e Cingapura. A HEC Paris lançou mestrados conjuntos em administração com o Indian Institute of Management de Ahmedabad.

Na Ashridge, Peters não está convencido de que tudo isso vai afastar a tempestade que se aproxima. “Temos que voltar a ser uma escola profissionalizante e deixar a empáfia de lado. Precisamos fazer isso funcionar economicamente.”(Tradução de Mario Zamarian)

Por Della Bradshaw | Financial Times

Unnafibras vai abrir nova fábrica no país em 2011

Fonte: Valor Econômico

A reciclagem de PET voltada para o setor de alimentos vai ganhar mais um competidor no Brasil. A Unnafibras , empresa que recicla PET e utiliza o material reciclado em fibras de poliéster, anunciou hoje que vai investir R$ 20 milhões em uma nova planta voltada para a fabricação de embalagens alimentícias. A empresa já possui três plantas no país, sendo duas de reciclagem e uma de fibras.

“Estamos diversificando nosso portfólio. Ainda é um mercado pequeno no Brasil, é arriscado, mas acreditamos que há espaço”, afirmou o presidente da Unnafibras, José Trevisan Júnior.

A nova fábrica será instalada na unidade de reciclagem da empresa, localizada em João Pessoa (PB) e deverá estar concluída até o final de 2011. A capacidade do novo projeto será de três mil quilos por hora de resina reciclada, mas existe um potencial de incremento, sem grandes investimentos, para quatro mil por hora, segundo o executivo. (VD)

Por De São Paulo

Dormentes de plástico começam a ganhar espaço nos trilhos do país

Fonte: Valor Econômico

A Wisewood, empresa de madeira plástica, com sede em Itatiba (SP), está em busca de investidores para promover sua expansão no país. Primeira fabricante de dormentes de plásticos a partir de lixos residuais em escala industrial, a companhia tem contrato fechado com a concessionária de ferrovias MRS Logística e seus produtos já estão sendo testados pela Vale.

Controlada pelo empresário Rogério Igel, um dos acionistas controladores do grupo Ultra, a empresa está em conversações com alguns fundos de investimentos, entre eles, o Stratus. Esse fundo já é sócio de outra empresa de Igel, a Ecosorb, especializada em gerenciamento ambiental.

Criada em 2007 e com primeiro contrato fechado no início deste ano com a MRS, a Wisewood aposta agora no segmento de pisos industriais, utilizados em larga escala pela construção civil e também na fabricação de “decks” (revestimentos para áreas externas).

A Wisewood é especializada em dormentes para reposição. Igel explica que a malha ferroviária é de cerca de 29 mil quilômetros no país, dos quais entre 1,5 milhão e 2 milhões de peças são repostas por ano. “Os dormentes de madeira que ficam em regiões que alagam, como a de Santos (SP), por exemplo, precisam de reposição a cada dois anos porque apodrecem.”

Em sua ampla fábrica instalada em Itatiba, interior de São Paulo, a companhia recebe o lixo residual, entre os quais rebarbas de fraldas descartáveis, recipientes de óleo combustíveis e de detergentes, bombonas e sacos de embalagens para transformá-los em dormentes. “Lixo vale dinheiro”, diz. Todo esse material é coletado de cooperativas, sucateiros e das próprias indústrias. A produção das peças de plástico ainda é marginal, mas já tem atraído interesse de grandes companhias.

Com 95% de participação na empresa, Igel quer obter os 5% restantes, que ainda estão nas mãos dos antigos controladores da companhia – episódio que o empresário faz questão de esquecer. “Não pretendo ficar com 100% do controle, por isso, negocio a entrada de novos investidores.” Procurada, a Stratus, uma das possíveis candidatas, não comenta o assunto.

Com faturamento projetado em R$ 6 milhões para este ano, a expectativa é atingir R$ 20 milhões em 2011 e alcançar R$ 50 milhões no ano seguinte. Para buscar essa meta, além dos novos investidores e diversificação dos negócios, Igel aposta em novos contratos. “Conversamos com diversas ferrovias e estamos dispostos a efetuar todos os testes necessários para colocarmos nossos produtos no mercado.”

Antes de instalar os dormentes de plástico nos trilhos, os produtos foram testados pelo IPT (Instituto de Pesquisa Tecnológica), PUC-Rio e Unicamp. A expectativa é de que a receita com a venda dos dormentes da Wisewood ceda espaço nos próximos anos para os pisos industriais, que já estão em fase de testes.

Aos 63 anos, Igel não nega o espírito empreendedor de sua família, controladora do grupo Ultra. O empresário trabalhou no grupo até os anos 90, depois decidiu pela “carreira solo”. Em 1997, fundou a Ecosorb, especializada em socorro ambiental, no qual tem uma participação de 40%, outros 40% estão nas mãos do fundo Stratus, cujo perfil são investimentos em projetos com apelo ambiental, e o restante está nas mãos dos executivos da companhia. “Também quero reestruturar o modelo de negócio da Ecosorb”, diz, aproveitando para dar recado ao mercado.

Por Mônica Scaramuzzo | De Itatiba (SP)

Primeiro bilhão na alça de mira

Mesmo em 2009, quando o mercado de softwares e serviços esteve embaçado pelos efeitos da crise financeira mundial e da alta do dólar, a empresa vencedora do ranking setorial de AS MELHORES DA DINHEIRO brilhou como poucas. Enquanto o setor cresceu 2.4%, dez vezes inferior ao patamar de crescimento anual dos últimos cinco anos, a Stefanini IT Solutions experimentou expansão de 32% da receita, para R$ 674 milhões.

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